Dia de imersão no contexto brasileiro

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No terceiro dia da Oficina de Articulação, foi realizada uma visita ao Assentamento Comuna da Terra Dom Tomás Balduíno, do Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MST), em Franco da Rocha, município localizado a aproximadamente 40 quilômetros de São Paulo.

O MST é um movimento social de massas, formado por trabalhadores rurais e por todos aqueles que querem lutar pela Reforma Agrária, contra a injustiça e as desigualdades sociais no campo. O MST surgiu ocupando latifúndios improdutivos, se constituindo como movimento de caráter nacional em 1984. Ao longo de mais de duas décadas, foram realizadas mais de 2,5 mil ocupações de latifúndios improdutivos por cerca de 370 mil famílias, hoje assentadas, conquistando 7,5 milhões de hectares. Estas famílias, por meio de sua organização, pressionam pela implantação de escolas, por crédito para viabilização da produção agrícola e construção de cooperativas, pela garantia do acesso à saúde, educação, entre outros direitos.

O MST é dos um dos principais movimentos sociais do Brasil, sendo um dos membros do diretivo da Campanha Nacional pelo Direito à Educação. A proposta da visita ao Assentamento era proporcionar aos participantes a oportunidade de conhecer o movimento e discutir com seus representantes como a questão da educação dos assentados era encaminhada pelo movimento, como estava organizada, tanto em relação à educação básica formal quanto em relação à grande demanda de educação de jovens e adultos. Durante a visita, membros do PCSS-Lusófonos puderam também apreender um pouco mais sobre a força e da experiência deste movimento social e compreender, na prática, um pouco mais da importância política da composição e participação dos movimentos sociais na rede da Campanha Brasileira, como efetivos transformadores e atores de incidência nas políticas educativas brasileiras.

Ao chegar ao Assentamento os e as participantes da Oficina tiveram a oportunidade de conhecer as moradias e espaço de trabalho dos militantes do MST, assentados naquele território. Márcia Ramos, Coordenadora de Educação do MST e membro do diretivo da Campanha Brasileira, assim como Mauro, militante e assentado há diversos anos, acompanhou o grupo durante este momento, assim como em todas as outras atividades da visita.

Num primeiro momento, Mauro levou o grupo a sua casa e apresentou o histórico de luta e estabelecimento do Assentamento de Franco da Rocha, um dos mais antigos de São Paulo. Falou sobre os procedimentos de permacultura, adotados em sua plantação, e dos diferentes tipos de casa existentes no assentamento. Mauro também abriu seu coração e nos constou sua trajetória de vida. Contou das dificuldades da vida antes de conhecer o MST e, sobre o que tem aprendido nos últimos anos junto ao movimento. Mauro impressiona ao grupo com as histórias do passado, assim como ao demonstrar seus conhecimentos técnicos sobre agricultura orgânica e sobre sua filosofia de construção coletiva, baseada em princípios de solidariedade e de trabalho voluntário.

Sobre as moradias de assentados, contou que com o pequeno recurso obtido para construção das casas, realizaram uma parceria com o departamento de arquitetura da Universidade de São Paulo (USP) e, através de práticas de mutirão e tecnologias de baixo custo, conseguiram construir cinco modelos de residência.

Em seguida, os membros do PCSS – Lusófonos visitaram a casa de um apicultor e criador de coelhos. Mais uma vez, o grupo se impressiona com a sabedoria técnica e de vida deste homem que, aparentemente, de raízes humildes, demonstrava conhecimentos concretos sobre as técnicas de criações de coelhos e abelhas; assim como um sólido conhecimento político sobre o papel da sua produção na região e no mundo. Constantemente, nosso anfitrião compartilhava com os visitantes o amor pela sua criação e a vontade continua aprendendo e compartilhando o que tem e sabe.

Seguindo a visita aos espaços do acampamento, conhecemos um casal de agricultores que recepcionou calorosamente os e as visitantes do programa. Mais uma vez, os donos da casa compartilham com os visitantes suas trajetórias de vida e de luta junto ao MST. Nesta casa os e as participantes do PCSS-Lusófonos vivenciaram a experiência de coletar cana e processá-la, obtendo o suco de garapa. Também puderam conhecer algumas plantas e ervas plantadas no local, tal que o Urucum, de onde se tira a essência de suas sementes como base para pinturas e tingimento de objeto e tecidos.

Logo das visitas as habitações do assentamento, o grupo almoçou na Ciranda do MST. A Ciranda é um lugar de criação, de invenção, de recriar, de imaginar, como também se configura em espaço de construção do coletivo infantil, no qual as crianças aprendem a dividir o brinquedo, o lápis, o lanche, a luta, o compartilhar a vida em comunidade nos assentamentos ou acampamentos do MST. Assim, as crianças vão se constituindo como sujeito lúdico, resignificando seu brincar e sua experiência cultural. A Ciranda fica dividida em quatro grupos: semente, broto, folha e fruto. As atividades são diversas e definidas a partir da faixa etária de cada grupo, englobam desenhos e brincadeiras desenvolvidas pelos educadores.

A educação e a formação política no MST são entendidas como um processo de estudo e prática, através de cursos, reuniões, ações coletivas e de luta. Defendem a educação do campo dentro da lógica do Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (PRONERA). O PRONERA é um programa do governo federal que promove o acesso à educação formal aos trabalhadores e às trabalhadoras das áreas de Reforma Agrária, desenvolvendo ações de Educação de Jovens e Adultos (EJA), Cursos Profissionalizantes de Nível Médio, Superior e Especialização, por meio de metodologias específicas que consideram a realidade do campo e o envolvimento das comunidades onde vivem estes trabalhadores rurais. De 2003 a 2008, cerca de 400 mil jovens e adultos assentados já foram escolarizados através do programa, e atualmente 17.478 mil estão em processo de educação formal, pública e de qualidade.

Ainda antes de retornarem a São Paulo os e as visitantes do assentamento puderam visitar o espaço de lazer, reuniões e apresentação de místicas e uma plantação de alfaces orgânicos. Os e as participantes também puderam comprar produtos orgânicos produzidos no assentamento (tais que sabonetes, xampu, pomadas herbais, bebidas, etc) e bandeiras e camisetas do movimento. 

Após a visita ao Assentamento do MST em Franco da Rocha, o PCSS-Lusófonos ofereceu um Jantar de Confraternização aos participantes.

Por Ludmila de Carvalho

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Publicado em 12/05/2011, em Oficina (maio 2011). Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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