Em Angola, delegação visita escolas, parlamento e instituto de formação de professores.

No terceiro dia da missão do PCSS-Lusófonos (Programa de Cooperação Sul-Sul com Países Lusófonos) a Angola, nesta quarta-feira (29/2), a delegação da Campanha Nacional pelo Direito à Educação (Brasil) e da OSF (Open Society Foundations) visitou escolas públicas de ensino fundamental, teve reuniões com a Comissão Nacional da Unesco, com parlamentares da área de educação e com o Instituto Superior de Ciências da Educação.

De manhã, o grupo visitou escolas de ensino fundamental nos bairros de Rangel e Rocha Pinto, em Luanda, respectivamente, a 15 e 30 minutos de carro do centro da cidade. Ambas as escolas tinham salas de aula de 40 ou mais alunos, sobretudo nas séries iniciais. Em uma delas, construída em 1987 e sem manutenção desde então, não há banheiros, as crianças levam as cadeiras de casa e não há carteiras. Uma aluna disse que gostaria que a sala de aula não tivesse buracos no chão.

Para Margarida Marques, dirigente da Campanha Nacional pelo Direito à Educação e membro da delegação que visita Angola, a situação das escolas angolanas é mais grave, mas traz recordações da luta no Ceará pelo fechamento dos anexos escolares. “Tínhamos escolas fechadas, apertadas, com corredores escuros, sem ventilação. Tivemos que fechá-las”, afirmou.

A coordenadora executiva da Campanha brasileira, Iracema Nascimento, defendeu que os governos, os organismos internacionais e as organizações da sociedade civil internacional não podem comemorar avanços verificados no aumento do número de matrículas em escolas se não conhecerem a situação concreta das mesmas. “Se o aumento de matrículas em direção ao alcance das metas do programa Educação para Todos se basear em escolas como a que vimos hoje, a comunidade internacional tem que parar imediatamente de comemorar e mudar suas estratégias”, defendeu.

Na Assembleia Legislativa Nacional de Angola, a delegação foi recebida por dois deputados da subcomissão de Educação, Ciência e Tecnologia da 6ª Comissão para Educação, Ciência e Tecnologia, Cultura, Juventude, Desporto, Assuntos Religiosos e Comunicação Social, Menezes Cambinda e Domingos Peterson, coordenador da subcomissão.

O coordenador geral da Campanha brasileira, Daniel Cara, destacou a interlocução da Campanha com a o Poder Legislativo no Brasil e a importância de que a Rede EPT Angola tenha diálogo aberto junto à 6ª Comissão. Também relatou a tramitação do PNE (Plano Nacional de Educação) no Brasil e a elaboração do CAQi (Custo Aluno Qualidade Inicial), temas que despertaram o interesse de ambos.

Margarida Marques relatou aos parlamentares a situação precária das escolas visitadas pela delegação, questionando se há algum tipo de intervenção da Assembleia. Peterson explicou que a Assembleia Nacional sempre tenta elevar os recursos para educação quando analisa o orçamento geral do Estado. Cambinda contou que os parlamentares visitam escolas e relatam situações graves ao Ministério da Educação, o que tem surtido efeito positivo. No entanto, ambos afirmaram que o que a delegação observou “já representa melhoria, pois muitas aulas ainda acontecem sob as árvores”.

Na Comissão Nacional da Unesco, a delegação foi recebida por uma equipe de seis funcionários. O presidente do comitê diretivo da Rede EPT (Educação para Todos) Angola, Vitor Barbosa, destacou que a Comissão apoiou bastante a fundação da rede no país. “É nosso dever apoiar as organizações nacionais comprometidas com o alcance dos objetivos da educação”, afirmou Petelo Bengue Jaime, chefe do departamento de administração e finanças.

A delegação visitou ainda o Isced (Instituto Superior de Ciências da Educação) de Angola, órgão público de formação de professores, onde foi recebida pelo professor Azancot de Menezes, chefe do departamento de Estudos, Planejamento e Estatística. O grupo conversou sobre possibilidades de trabalho conjunto. O professor Azancot lembrou que é preciso formar 4 milhões de professores para cumprir os Objetivos do Milênio.

Integram a delegação de visita a Angola o coordenador geral e a coordenadora executiva da  Campanha Nacional pelo Direito à Educação do Brasil, Daniel Cara e Iracema Nascimento, a dirigente Margarida Marques, que representa o Cedeca-CE (Centro de Defesa da Criança e do Adolescente do Ceará) na direção da Campanha, e Trine Petersen, da Open Society Foundations.

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Publicado em 29/02/2012, em Angola. Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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